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  • MARIANO T.

    Liberal-nacionalista, formado em Relações Internacionais, interessado na política interna e externa do Brasil e dos Estados Unidos e nas relações internacionais de modo geral.


  • OTÁVIO A.

    Bacharel em Relações Internacionais e servidor público. Aficcionado por Política Exterior Brasileira e Política Internacional. Tem forte interesse na área de Segurança Internacional, particularmente desarmamento.


  • PEDRO A.

    Servidor público, tem interesses diversos como segurança e comércio internacionais, políticas partidárias e sociedades orientais. Conservador sensato e não caricato.


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24 Março 2006

Um Golpe na Itália? Impossível...

Mariano Tindaro
...eu espero.

Esse post no AFOE está muito bom. Aponta para as ações recentes de Silvio Berlusconi, que não têm indicado estar inteiramente comprometido com o processo eleitoral (para ser gentil). Harrowell (o autor do post) reconhece que o risco do Berlusconi realmente tentar suspender as eleições ou algo do gênero são pequenas - contudo, existem.

Só na Itália, mesmo. Ah, e talvez no Brasil.
Postado às 20:13 - Comentários: 8 - Links para este post

22 Março 2006

Uzbekistão, Azerbaijão, Ondiéquistão...

Mariano Tindaro
Chris Patten, nesse artigo do Herald Tribune, demonstra por que é um dos mais renomados diplomatas do mundo: ele não olha apenas para o fogo, mas para as faíscas que podem acender o pavio. Nesse caso, o Uzbekistão. Pode não parecer muita coisa, mas esperem 20 anos - a Ásia Central vai virar o próximo Oriente Médio, e quem quiser entender de política global vai precisar entender da região.
Postado às 01:08 - Comentários: 1 - Links para este post

18 Março 2006

Vox populi. Vox Dei?

Otávio Augusto
Nos fins dos anos 1990 e no início do milênio, renomados estudiosos de relações internacionais apontaram para a força da opinião pública como vetor capaz de impedir guerras e cobrar ações dos governos em relação ao meio ambiente e aos direitos humanos. Muitos chegaram a falar em uma opinião pública internacional e apresentaram um cenário de esperança para o futuro da humanidade. Foi como se a academia ressucitasse o muito antigo mote "Vox populi, vox Dei".
Hoje, aconteceu uma passeata em Taiwan, que reuniu 45.000 pessoas protestando contra a China continental e defendendo a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Há exatos dez anos, Pequim disparou mísseis próximos à costa de Taiwan, em uma clara tentativa de influenciar o resultado da primeira eleição presidencial direta da ilha. Essa manifestação parece, portanto, enquadrar-se no cenário pintado pelos estudiosos citados acima.
Também hoje, aconteceu uma manifestação em Belgrado, capital da Sérvia. Mais de 50.000 pessoas homenagearam o ex-presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic. Ao contrário da manifestação em Taiwan, o que aconteceu hoje em Belgrado não se enquadra no cenário da opinião pública defendendo a paz e os direitos humanos. Afinal, Milosevic foi um ditador que estava sendo julgado por um tribunal internacional ad-hoc por crimes de guerra e contra a humanidade.
Nesse sentido, é sensato confiar na força da opinião pública para a construção de um mundo melhor - mais justo, mais democrático e sem guerras? A experiência sérvia parece demonstrar que não. A opinião pública pode defender a democracia e a paz, como em Taipei, mas pode defender também um regime ditatorial racista e o conflito, como em Belgrado.
Além disso, a opinião pública não foi capaz de evitar a invasão do Iraque e efetivar o Protocolo de Quioto. Em alguns lugares, como no Oriente Médio, a opinião pública exacerba rancores e promove o terrorismo.
Assim como a idéia de judicialização da política internacional, essa idéia sobre a força da opinião pública internacional também parece estar relacionada com uma visão estritamente ocidental e otimista demais do mundo, que não se reflete na realidade.
Postado às 15:53 - Comentários: 6 - Links para este post

Bolsa Família: quem é o pai?

Pedro de Albuquerque
O Governo que se cuide, pois agora reclamaram a paternidade do Bolsa Família.

A discussão acerca do criador do Bolsa Família é antiga. O PSDB afirma que os o Programa foi construído com base em programas anteriores, iniciados por Fernando Henrique Cardoso. O Governo diz que tais programas não atendiam a um número suficiente de famílias e que o Bolsa Família traz uma coordenação mais sofisticada e um atendimento 50% maior. Ambos dizem a verdade.

Neste ano, porém, o tema traz um novo tempero: as eleições. E nessa corrida eleitoral o Bolsa Família figurará no centro das atenções. Há pouco, pesquisa da Datafolha indicou que o Bolsa Família é a principal razão para a subida de Lula. O Governo tem plena consciência disso, não é à toa que "esqueceu-se" do Fome Zero e prepara um arsenal estatístico para comprovar que seus programas estão funcionando. É isto que o povo quer; é em favor disto que o povo vai votar.

A oposição, no entanto, também percebe a movimentação e esboça os primeiros sinais, talvez tardios, de reclamar a paternidade do Programa. Recentemente, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, após atacar o Ministro Antonio Palocci, afirmou que, se eleito, manterá o Programa Bolsa Família. Segundo Alckmin, essa é nada mais que uma obrigação decorrente do governo Fernando Henrique.

Ambos Governo e oposição por muito tempo falaram timidamente sobre o Bolsa Família; ambos partirão agora para o ataque, para comprovar quem é o pai; ambos sabem que o Programa pode decidir as eleições.
Postado às 02:30 - Comentários: 2 - Links para este post

17 Março 2006

Noblat e a Coerência de Bush

Mariano Tindaro
No dia 15, em um post entitulado "O Que Pensa o Brasil Anônimo", o jornalista Ricardo Noblat disse o seguinte:

"Discurso para ganhar votos nada tem a ver com discurso para governar e se manter no poder. É assim aqui e por toda parte. O socialista François Miterrand se elegeu presidente da França com um discurso e governou com outro. É fato que tentou, sem sucesso, ser fiel ao discurso de campanha. Fez o mesmo na Espanha o socialista Felipe Gonzales. Bush e Hugo Chávez são exemplos raros de coerência extrema - um pela direita e outro pela esquerda. Bush chegará ao fim do seu segundo mandato. Chávez é uma incógnita."

Confesso que embora não goste dos esterótipos do Bush que a mídia adora propagar, chamá-lo de exemplo de coerência também já é passar do limite. Bush advogava uma política externa "humilde", e invadiu o Iraque. Pregava um "conservadorismo de compaixão" e assistiu à destruição da cidade de Nova Orleans, destruição essa que claramente atingiu de forma mais devastador os mais pobres. Bush prometia governar com a eficiência que tem feito a fortuna das grandes empresas americanas, e tem adotado políticas que levariam qualquer outro Estado ou impresa à falência inescapável. Jurou trazer "dignidade" à Casa Branca depois da presidência de Bill Clinton, e já teve mais assessores metido em arapongagem, crime federal e até crime comum do que Richard Nixon.

Realmente, acredito que o Bush não me parece muito mais coeso em termos de campanha-governo do que o Lula. Menos, até.
Postado às 13:54 - Comentários: 2 - Links para este post

15 Março 2006

Terrorismo nuclear

Otávio Augusto
Nesses dias em que muito se debate sobre energia nuclear, particularmente no Irã e na Índia, é bom lembrar que a ameaça não vem apenas de atores estatais. O Pravda publicou um artigo interessante sobre o terrorismo nuclear, que foge das análises impressionistas e alarmistas. Curto e interessante.
Postado às 22:30 - Comentários: 2 - Links para este post

EUA na América do Sul. Uma ameaça para o Brasil?

Otávio Augusto
A histeria sobre "as bases militares estadunidenses no Paraguai" passou, mas a idéia de que os Estados Unidos têm uma estratégia de estabelecer bases militares nos países sul-americanos de modo a "cercar" o Brasil ainda é forte, especialmente na caserna. Essa idéia é alarmista e não leva em consideração a política doméstica dos Estados Unidos.
Na verdade, as bases e a cooperação militar que Washington mantém nos países sul-americanos, especialmente na Colômbia, atendem a interesses muito concretos de política doméstica, não externa. Ao contrário do que acreditam muitos militares e maioria da sociedade brasileira, essa presença estadunidense na América do Sul não tem por alvo o Brasil, nem a Amazônia. Ela está diretamente relacionada com o tráfico de drogas e, recentemente, com o terrorismo, duas questões de grande apelo doméstico nos Estados Unidos. Obviamente, outros interesses estão em jogo, mas o Brasil não é o maior alvo dessa presença estadunidense. Especialmente porque a América do Sul é uma zona de baixa pressão, com poucos potenciais de conflito e, relativamente, pouca importância geoestratégica.
O que os brasileiros, inclusive os militares, devem entender, é que os Estados Unidos têm apenas ocupado um vácuo de poder deixado pelo Brasil. A isenção brasileira no conflito colombiano é um exemplo. Outro exemplo é o acordo de cooperação militar firmado entre Paraguai e Estados Unidos, pouco tempo depois de o Brasil ter encerrado sua missão militar no país vizinho. Os militares paraguaios, carentes de instrução e de equipamentos, apenas procuraram outro país que pudesse fazer aquilo que o Brasil não quis mais. (Apenas a título de curiosidade, a suposta base aérea "estadunidense", o aeroporto Mariscal Estigarribia, foi construído com a ajuda de engenheiros militares brasileiros).
Essa questão de vácuo de poder está muito clara na seguinte declaração do Chefe do Comando Sul dos Estados Unidos - que engloba as três Américas: "If we are not there and we can't provide this opportunity, someone else will". O General Craddock referiu-se aos chineses, que estão aproveitando uma oportunidadde ímpar, dada por Washington, para estreitar laços com as Forças Armadas da América Latina. Uma lei estadunidense que limita cooperação militar com países que não aceitam, entre outras coisas, dar imunidade aos soldados dos Estados Unidos em relação ao TPI, possibilitou que Pequim oferecesse aquilo que Washington não oferece mais.
Felizmente, alguns militares estão cientes que a presença estadunidense, assim como a chinesa, crescem e se mantêm por causa de vácuos de poder deixados pelo Brasil. A Missão Militar brasileira deverá retornar em breve ao Paraguai. O ideal é que o Brasil tivesse uma presença muito maior nos outros países, não por meio de bases, mas com instrutores e técnicos, além de expandir o intercâmbio com outras escolas de comando da América do Sul. É isso o que os Estados Unidos têm feito, e é isso que o Brasil deveria fazer.
Postado às 21:46 - Comentários: 6 - Links para este post